C.S. – 29 anos (sexo feminino)


“Emagreci dez quilos em dois meses, pode parecer pouco, mas estes quilos não devem ser minimizados. Devemos aprender que 10 quilos a mais é um montão. A diferença para 80 quilos a mais é só um número, porque no momento de sentir, sentimos o mesmo, independentemente dos quilos a mais que temos que reduzir…”
Um dia minha endocrinologista me disse “não te atendo mais, estou cansada de te passar dietas e pedir que você se cuide. Você está caminhando para obesidade e não consigo parar este seu processo.” Ela se levantou e abriu a porta. Quando ela disse que a minha direção era a obesidade, me assustei.

Ela mesma me recomendou Ravenna. Fui direto a uma cabine de internet e cheguei. Fiquei para o grupo informativo e este mesmo dia, paguei a inscrição. Participei dos Grupos Claves e freqüentei o Centro todos os dias.
O primeiro que me surpreendeu foi a serenidade que encontrei depois de meia hora após participar do meu primeiro grupo. Apresentaram-me um método que a meu ver é lógico. Propuseram que eu verdadeiramente me afastasse da comida. Não tinha que registrar o que comia e nem tinha que comer a cada duas horas. Também não tinha “permitidos” fora do tratamento no decorrer da semana. Quando escutei isto, disse: “isto é lógico e na realidade não tenho que estar dependente da comida”. Eu aumentava de peso com os outros sistemas. Contei a Liliana, minha coordenadora, “- confio em vocês. Vou fazer, pela primeira vez na minha vida, o tratamento sem interferir”.
Sempre lutei contra a gordura, era a típica que tinha três quilos a mais e vivia de dieta. Eram poucos quilos, mas não os resolvia. Mas, está vez foi diferente, vinha aumentando aos poucos e em dois anos, subi 10 quilos. Embora eu não tivesse registrado que era o caminho da obesidade, havia percebido que queria “parar” e não podia. Incomodava-me esteticamente e me pesava o corpo, me sentia cansada.
Quando aumentei, mudei em algumas coisas, sem perceber: estava sempre um passo atrás em tudo. Comecei a ver como estava vestida, sempre coberta. Minha forma de ser também tinha mudado. Estava apagada, agressiva e com meu companheiro me relacionava de outra maneira. Me sentia fora do sistema. Sentia que estava “afastada”, que já “não olhavam para mim”. Na verdade, a primeira sensação que eu tive quando comecei a emagrecer, foi à juventude.
Hoje tenho quase um ano em manutenção. Isto é outra história. Agora depende só de mim. Venho ao grupo de manutenção para aprender a manter-me e a ter um corpo magro fundamentalmente. Tenho que me cuidar porque existe algumas vezes que a “gorda”, ao ver que estou magra, “ressurge”.
Emagreci 10 quilos, mas não podem ser minimizados. Houve uma pessoa que sentou ao meu lado e me disse, “- para que está ocupando um lugar?”. Lhe disse, “- se você me visse comer, não me diria isto!”.
Devemos aprender que 10 quilos a mais é um montão. A diferença para 80 quilos a mais é só um número, porque no momento de sentir, sentimos o mesmo, independentemente dos quilos a mais que temos para reduzir.

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