Uma grande pessoa ou um grande feito?


                                Uma grande pessoa ou um grande feito?

Por: Ricardo Guedeville (psicólogo do Método Ravenna – Clínica Salvador)

“Os homens poderiam ser bem melhores se não quisessem ser tão bons.” Esta foi uma frase que jamais esqueci desde que tive contato. Ela é de autoria do pai da Psicanálise, o Sigmund Freud, o mesmo que quando questionado se ele se achava um grande homem ele não hesitou: “não me considero um grande homem, mas aquele que fez uma grande descoberta”. Frase certeira e de muitas verdades. Explico o porquê. Para ser uma grande pessoa (um grande Homem ou Mulher) é necessário muita coisa. Mas uma é indispensável e não pode faltar como dica em nenhum livro de auto-ajuda: a ilusão. É esta que nos dá uma cegueira suficiente para não vermos determinados aspectos da nossa personalidade que convenhamos, não teríamos orgulho e faltaria espaço para expor no Instagram.

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Sim, somos em nosso íntimo mais mesquinhos, invejosos (etc e tal…melhor parar por aí) do que gostaríamos. Somente uma pessoa que não se conhece o suficiente para “se achar” um grande ser humano. Já sei que vai ter gente reclamando (os de autoestima baixa) que não é por aí, que não fale assim de mim não. Mas é bobagem, e lutar para negar isso só confirma a tese.

Fazer algo notável, por sua vez, tem certa grandiosidade. Feitos diferenciados, além de “beneficiar” a própria pessoa que fez, ainda inspira a sociedade no sentido de fazê-la acordar para a sua preguiça ou pelo menos por fim às queixas infindáveis. Uma observação – as aspas em beneficiar são porque não se pode garantir que esta empreitada só vai ter alegrias para a quem a realiza. Mas, o mais importante é que feitos grandiosos podem ser feitos por pessoas não grandiosas, pessoas falíveis, inconstantes, ou seja, gente como você e eu. E se falharmos isso tem muito menos a ver com a nossa pessoa do que com certos desejos que entram pelas janelas e chegam esvoaçando e bagunçando todos os
papeis na nossa sala. Estes desejos, da mesma maneira que vieram, se vão.

Em suma, separar a pessoa dos seus feitos é colocar os holofotes no lugar certo. Se os nossos papeis só vivem indo ao chão talvez seja hora de pedir ajuda. Se isto ocorre eventualmente não cabe se angustiar e muito menos se culpar. É burrice querer poder parar o Vento. A outra pessoa, cujos papeis ainda estão no mesmo lugar, talvez só tenha sido mais esperta. Ela não abriu as janelas naquele dia.

 

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